16 de fev. de 2010

Henry Evaristo foi embora...

Henry Evaristo foi embora. Estamos de luto, pois nosso amigo já não se encontra entre nós. Hoje, 16 de fevereiro de 2010 foi o triste dia da sua partida.
 
Deixou esse mundo de tristezas e alegrias, partiu para universos desconhecidos. Henry Evaristo foi embora e choro de saudade do contador de histórias, do escritor talentoso de raciocínio agudo, de olhar poético e rara sensibilidade musical. Choro por saudade de um amigo fascinante. 

14 de fev. de 2010

Obscuro Amor - Final


Obscuro Amor 

Final



A paixão me consumira e ele me deu um preço que ousei pagar.
Porém, aos demônios não se paga somente com o sangue, com a alma, com a carne. Aos demônios, paga-se com a maldição eterna. O que seria mais sublime que tê-la comigo? Um dia e uma noite de puro deleite. Um dia e uma noite como um príncipe. Entanto, o demônio me enganara. Não percebi o logro imediatamente. Descobri naquela noite quando, enquanto na casa de Ana pranteavam seu cadáver de princesa adormecida, recolhi-me ao universo dos sonhos ainda embargado em deleite.

1 de fev. de 2010

Obscuro Amor - Parte IV


 
Obscuro Amor - Parte IV

Esgueirei-me, naquela noite, pelos caminhos umbrosos como o criminoso hediondo que me tornara e retornei ao meu lar. As sombras pesavam-me n’alma e trabalhei. Inspirados pelos mais devassos demônios da noite meus dedos moviam-se como nunca dantes. Que dizer daquela noite maldita? Do cenário noturno, cheiros aziagos invadiam minhas narinas quase tomando todo ar;  podia sentir a minha volta bafejos de olhos insanos e demoníacos e ouvia, não pelos meios comuns, mas na frialdade na madrugada que gelava minha pele, lamentos de agonia que arrepiavam-me e deixaram minhas mãos ameaçadoramente trêmulas. Ainda assim, antes que o dia chegasse, a minha obra mais perfeita estava pronta e ainda que por pouco tempo, seria dolorido deixá-la partir.

30 de jan. de 2010

Ausência













Ausência
 Por Tânia Souza

Do vinho derramado
Só restam cacos
                        
Palavras trincadas
                       Notas sem vestígios
Asas dilaceradas

Taças desfeitas
Soluços contidos
De verbos vãos

Murmuram rubras
Canções de outrora
Lejanas declarações

É sábado
E já não vejo o sol surgir
É sábado e o sol talvez brilhe
Não para mim

Queda-me o vazio
No escuro do quarto
um abismo
o vácuo 

Infindo labirinto
Olhos perdidos em noite blues

Ai que triste
E desolada composição
As telhas desfazem-se
Serenatas de uma chuva eterna

Desbotadas e sofridas
Nossas dores tatuadas sangram

Rubro vinho desfalece
 E pálido derrama-se
     
Nas velhas paredes
    Turvas rosas choram
   Em sombra e solidão

Em (in)trincados cristais
 Coração entrelaçado vai

N’alguma madrugada
Quando a viola de cocho chora
Meus cílios brincam de orvalho

Cacos cristalinos de nos dois
E um amanhecer que não vem