Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

4 de ago. de 2012

desencravei do céu a última estrela
houve lágrimas e sangue
quando corpo estranho ela caiu

agora sim

despida de sonhos
apenas a imensidão escura
dos não-horizontes

6 de set. de 2011

de(s)caminhos

sigo descalça entre corpos e sonhos depedaçados
sentindo entre-os-dedos ausência de verve vida
há pedras, espinhos e ferrugem
guiando estes passos bêbedos e famintos

chove agora num lugar qualquer
dançam violentas sob carne e esperança
velhas lágrimas desperdiçadas

unhas e esmaltes descascados de outrora
sobre os destroços da última guerra
 asas cortadas sob agônica aurora

ainda há flores no caminho
ah, estas pétalas sanguinolentas
ferem de espanto minhas iris
farpas em cilios quase adormecidos
       
ácida e lasciva cor em boca-e-dente
estilhaça meus sentidos
resquícios de sonhos e gemidos

sigo em pés desnudos e lamento violino
esqueço-me, anjo perdido em ancestral batalha

5 de set. de 2011

fome

sinto seu cheiro e o instinto só me conta
da minha fome
fome fome fome

entremeusdentesuacarne
fome fome fome

e voce escorre nos meus lábios
é tao quente baby
ah como eu quero
e meu sangue se aquece
ah, é tão quente e seu cheiro me apetece
fome fome fome

minha lascívia se embriaga em sua saliva
minha rosa azul
queimando mundo em blues

e sua alma é tão doce
que uma lágrima triste queima pele fria
e lembraria com saudade
essa alma já foi minha

você é tão doce
em minhas sombras sua luz

me dê sua boca baby
            sua pele a minha febre
                                     a minha sede  
                                                 a minha verve

mas a fera ri e saliva em fome
fome fome fome
e minha lascívia se embriaga de sua saliva

e seu coração é tão doce baby
escorrendo em meus lábios
derramando-se rubis em minha pele

e o vento em seus cabelos só me trazem o seu cheiro
e o vento em minha face só me beija o seu cheiro

o luar argênteo ri e debochada a fera espia
e das sombras os dentes dilaceram a alma

eu sorvo sua lágrima
ela é tão quente baby
quando você morre
sou apenas sombras

e o seu gosto é tão doce ferindo
minha garganta embargada
dilacera meus ossos
e encontro-me em sombras

violinos baby
violinos choram
e suas lágrimas ainda queimam
minha pele fria
fria
fria
enquanto morre a alma minha

os ponteiros tristes de um relógio insano giram
ao som de violinos violentos
violinos que choram baby
em meus seios pálidos palpitam sombra e solidão
e suas lágrimas ainda queimam minha face
minha pele fria fria fria
enquanto morre alma minha

3 de ago. de 2011

Agosto, e o despertar de um certo gosto...

Agosto, e o despertar de um gosto

foi num agosto qualquer
madrugada áspera nascia
aquela miúda Maria

bem filha de seu avô
  pequeno fruto de dor
vida veio ao mundo
  envolta em trapo imundo

alma solitária e faminta
que de triste e aflita
cobraria o preço
de tão cruel desapreço

e a mãe/menina
com fome, frio e doentia

fitando os seios infantes
 ninava a boneca que chorava

e no coração ferido
da infância roubada
medo de quem lhe oprimia
e piedade pela pequena Maria

e por 12 noites mãe e filha

duas crianças choravam
mas a sexta 13 chegou
na madrugada fria
com sede, lascívia e crueldade
a antiga fera/avô despertou
na face da menina
   e na foice afiada
 vingança se revelou

descobriram rubro alimento
  naquele que lhes fora tormento
a lamina afiada descobrira
néctar para muitos e muitos dias

e de tão rubro sabor
este vício seguiu pela vida

de razão tão ausente
fruto de uma vida demente

e a cada aniversario de Maria
três entram na pequena choupana
em festa insana e profana
somente mãe e filha saem de lá
vingança, saciedade e paz


pela eternidade?
ou até outro agosto chegar

Por Tânia Souza

5 de jul. de 2011

Saci Saci

Saci saci  

No sítio do Seu Domingos
Certa noite fomos dormir
Acordamos assustados
Muito barulho por ali

De longe eu só ouvia
O assovio que arrepia
Era ainda tão guria
Na cama tremia

Os bichos espantados
A noite inteira de andanças
Os cavalos relinchavam
Lá fora estranhas festanças

Quando o sol nasceu
Foi aquela danação
No galinheiro um alvoroço
Penas por todo lado
E no pasto muito mais
O gado assustado
O Cocho virado
O Portão destravado
O Leite estragado
Tudo fora do lugar

Foi Saci, foi Saci, foi sim
Saci saci, vá para longe daqui
E Dona Domingas se benzia
Vendo as crinas trançadas
Dos cavalos suados

Foi o seu Tonho da Porteira
Que apareceu com a solução
Deixar naquela noite
De aguardente uma porção
De fumo do bom um montão
E tudo bem arrumadinho
Para contentar o brincalhão

E foi assim, foi sim, foi sim
Que no sitio dos Domingos
Nunca mais houve confusão

Tânia Souza

13 de mai. de 2011

noturno I

entre vultos e mistérios
palavras espreitam
espectros da noite

21 de fev. de 2011

Aprenda a beijar

Poema resposta a um desafio!

Aprenda a beijar

Sei que ando assim enluarada
Sou mulher, fêmea, ferina femínea
                          Delicadas nas ações, doçura no coração
Porem, de tão enjoada dessa lida
Resolvi tomar uma nova guarida

Pois cada dia em meu caminho
Há de ser livre dos espinhos
Amo demais, mas tenho sapiência
E também músculos fortalecidos

Todos os sopapos de uma existência
Guardados em suave paciência
Revoltaram-se e respiram livres
Chega de poesias soluçantes
Nada será como antes

Ouçam agora, mulheres do mundo
Como lidarmos com este submundo
Que outrora chamamos de amores

Meu manifesto é plural
Mas se não surgirem adeptas
Farei dele meu particular manual

Deixemos de lado o puro sentimento
Façamos deles nossos escravos
Somente assim, merecerão ser amados

Como sempre, hão de beijar-nos a pele
Acariciar-nos trêmulas, todas as curvas
Porém, deste momento em diante
Tementes, cerrarão os olhos para não ver,
Quando passarem outras musas

Acarinhar-nos-ão em horas turvas
Falando suaves de tristezas ou luxurias
E beijar-nos a boca com loucuras

E se acaso este beijo
Não tocar-nos completamente
Entre lábios, corpos, suspiros, prazer e alma
Sentirão nossas mãos enluvadas, friamente
Enchendo-lhes a face de pancadas.
E os pés deixando bem marcadas
As partes que lhe são mais amadas

E se ele reclamar, não perde por esperar
Outro mais atento tomará o seu lugar
              Para cuidar bem, da doce mulher que tem.


Tânia Souza

Este poema é principalmente uma brincadeira, se o eu-poético é ferino, a autora, no caso eu,  detesto violência e agressividade. Os versos nasceram como resposta a um comentário-desafio, este que segue abaixo.

“Não consigo ler uma poesia feminina falando que se ele não a beijar corretamente ela vai cobri-lo na porrada.” 

Ah, aos que me perguntaram sobre o autor da pérola, ele pediu que omitisse o seu nome. Que pena u.u

10 de nov. de 2010

Noturna



   









noturna

     mea culpa
     culpa mia
     mia a culpa
     mia
           mia...

     mia no telhado
     dor que é só minha

              

5 de nov. de 2010

inmortal


y a menudo
cuando el domingo duerme
y la lluvia juega en el cielo oscuro
yo pienso em ti
aun que insensata sea
a Dios le pido
tus ojos risueños
languidecientes melodias
en sueños de Vangelis e poesia
  
en sagrada magia
estrellas iluminan mi oscuridad
no hay vida
y no hay muerte
destejido el camino de la soledad

y en la embriaguez de la fantasia
                   el tiempo es roto
         la distancia es nada
son tuyos mis besos
y en mis brazos tu haces morada


voy tejiendo noches de acalanto y melancolia
en sueños de Vangelis e poesia

1 de nov. de 2010

Sina

Sina

Um roto andarilho
Pedia-nos a licença
De uns versos contar
Enquanto o navio
No porto aguardava

E frente a espera ociosa
Lúgubre cantilena tomou lugar

Falou-nos o cantador
De mórbida noite
Onde embriagado
Em velha taverna sonhava

Quando ao vento mais forte
Um violinista triste chegou
Versos tristes a declamar

Era o violinista poeta
Servo da escuridão
E em macabro oficio
Seguia em poemas
De severa desolação


12 de set. de 2010

enquanto chove



enquanto chove

eu gosto das chuvas entardecidas
quando caem de repente as águas do mundo
e me vejo surpreendida e derretida
menina mulher femínea

a chuva então me chove
e vou andando pelas calçadas
vendo a noite chegar
vendo o breu me aconchegar

faróis iluminam asfalto em dourado
desimportam minhas roupas coladas
não há lascívia nem pudores
sob asas invisíveis de anjos molhados

vejo passos insanos por ruas desnudas
cada qual perdido em si
paixões repentinas retidas refletidas
nas poças d´gua quebradiças almas
tristeza maior não vi

e no asfalto molhado
algum resquício em dourado
sob a luz de um poste reflete
sonhos que ainda persistem
nem sabem que inexistem
em mundo esquecido de sorrir

trilce lantejoula em falsa jóia
tolo ouro de uma moça sonhadora
tecendo quimeras
sob a chuva o dourado das luzes
talvez flores sejam
d’alguma primavera
enquanto a noite escorre pelos becos

e quando do abismo escuro a água desce
a chuva me chove e chovo e choro
a tristeza que minha alma tece
deságua e quer voar
e vou por ai, aprendendo a chover
por um alvorecer que nem sempre vem...


11 de set. de 2010

Espectro - Tânia Souza

Espectro 
Tânia Souza

Da serpente, eu quis a lábia
Ser o pecado a tentação
 
Da águia, a visão
O bote e a precisão
 
Da coruja, a sabedoria
A calma e a decisão


Mas restou-me do destino 
A carne pútrida
A gripe o vírus a febre
 
E esta cara de abutre
A espera dos dejetos
Das feras da terra



Para meu amigo Boi ( Luciano Alencar )

De cinza e brisa - Tânia Souza

de cinza e brisa

e numa tarde azulêncio
cinzas na brisa

são texturas de veludo
desfazendo-se ao tempo

e nas chamas que findaram
solidão no crematório

numa tarde qualquer
o infinito se faz
de cinzas
azul
e silêncio
nas mãos de uma menina
brincando de viver

em tantas ternurinhas
o sorriso da morte

3 de set. de 2010

Ah, sá moça, sei falar de amor não

Ah sá moça, não sei disso de amores não
Nas meninices até sonhei
Essas suspiranças vem da saudade de um certo moço
Moço bonito de um olho mais azul que nem sei igualar

Naquelas épocas o sol ainda aromava dourados em mim
Foi quando comecei a sonhar azulêncios
Foi quando vi os olhos tristes de Antônio,
Peão guapo que só, na laçada não tinha igual

Mas dia que as mãos e calos do Tonho
Brincaram nas minhas tranças
Voz macia falou baixinho
Teus cabelos são trigo e ouro Maria
E o solzinho da tarde indo embora
Riso dele calou dentro de meu coração pra sempre sá moça

Mas feito ferroada de mosquito brabo
Que me sarou o relho do pai, marca tenho na carne até hoje
E o sangue do Tonho faca levou, pai limpou na chaira
Nossa terra bebeu não

Foi a febre sá moça
Dia e noite de choro e um escuro aqui dentro

Depois? sei não
Ah, depois foi o depois
Tempo que vai e que vem
Moça não desobedece a pai não, sabe
Tempo trouxe quase esquecimento
Quase....

Escuro aqui vez em quando volta
Saudade vem sempre
Quando dia vem caindo assim devagaroso
Sol meio aquarelando o rio
Ah saudade doída doída
Do que nem sei nem vivi
Daí é a febre sá moça
É a febre
 

E o riso do Tonho ri aqui dentro
Tal qual naquele dia
No campo de trigo
Bem pertinho do pôr-do-sol
Isso a faca do pai não levou

Levou não...

27 de ago. de 2010

Crepúsculo










Tinta do sol caindo
No rio aquarelou tristezas

Tudo tão bonito
Tanto que dói
Disseram ser poente

Mas parecia poesia

26 de ago. de 2010

noturna


noturna

luar de febre e açoite
tangendo crueza e frio na noite

feito farol ferido
em cílios curvos de tempo e rímel
 luar refletido


caninos de súbito aflitos
olhos mortiços
a loba uivou longamente
de fome e fúria e dor o seu gemido

noite enluarada
fera e bela
nalguma esquina
caça ou caçador
... vaga quimera

e depois?
e depois nada
 eco de saltos na calçada

estraçalhados cristais
luar no asfalto
 sorve ilusoes quebradas
 
ri lejana e fria a lua
alma devassada e nua

é noite
e criaturas vagam
reluz a solidão da rua

algum resquícios de febre
em rubro luar
enquanto ela se vai
pés descalços
se vai
insaciadamente
 se esvai

16 de ago. de 2010

a sua boca


                     ah, a  sua  boca garota...

   essa sua boca vermelha
   luxuriosamente vermelha
   lambuzada de batom
                              

                      a sua boca garota
                      é tão lírica e cheia
                      voluptuosamente rubra
                      lábios e sedução

          mas que importa garota?
se você ainda chora
                               e boca borrada de batom
                               fica assim
           se olhando no espelho
lágrimas em batom vermelho

                             e estes olhos mais vermelhos ainda
                             não se cansam de chorar?


20 de mar. de 2010

Um sorriso


Um sorriso
                         Para Celly Borges


Por que ela sorriria?
Os olhos brilhavam n´alguma sanha secreta
O riso era profundo
Quizá enfeitiçante
Tremi
         Tememos


O que tivera que ser
Fora!


E restava-nos a angústia da espera
Quando o sorriso dela
Revelasse enfim
O suplício d´algum ato mortal

À sombra nefasta de seu riso
A humanidade chora
- Cruel –
A espera do castigo final.

                                                              Tânia Souza

27 de jan. de 2010

Cinzas
















Cinzas!
Os dias, em cinzas envolvem-se.
Ruas cinzas!
Casas e prédios em cinzas!
Busco e só encontro cinzas...

O tato:
Encontra cinzas

Os olhos:
Nublam-se de cinzas

Os aromas:
Sufocam tomados de cinzas.

Ouço:
Fagulhas e cinzas.

Provo:
O des-gosto em cinzas.

E percorro em pressa descaminhos
O som alude ao chamado
E chamo: chamas!
Procuro, sem lume, em cinzas.

Mundo sem cores,
Tela cinza onde não me encontro
Desfeitos pontos,
Cores furtadas de um dia lejano...

Furtivos movimentos
Imperceptíveis rumores
Restam cinzas

E em cinzas converte-se meu coração 

Em cinzas morre a palavra
Morre a palavra no grafite cinza


E quando no fogo o papel transmite-se 
E todo verso
         E toda rima
                 E tola sina
                                    É de novo:

              Apenas cinzas. 
Ah, penas cinzas...

13 de jan. de 2010

Um pôr-do-sol sangrando no azul


Um pôr-do-sol sangrando no azul

Aromas da tarde indo embora
  E num ávido deslumbre
            Um pôr-do-sol latejante   
 Soluçando-me de vermelho

Em pálido azul os restos do dia
  Murmuram da vida segredos rubros  
      
        Sozinha, estou tão sozinha
               Queimo em fátuo fogo
       Fecho os olhos rasos
E lágrimas não deslizadas
             beijam meus cílios largos

     O sol regendo orquestra aquarelal      
Desvenda mágica e eterna sabedoria
 
Parte sangrando todos os dias
  E vem resplandecente a cada manhã

Tânia Souza