30 de nov de 2009

O templo de Zarhaad - Henry Evaristo

       Descaminhos sombrios tem a honra de apresentar um conto singular de Henry Evaristo. O autor de Um salto na escuridão mergulha de forma original na obra de Lovecraft, mas o faz de forma criativa e única, mantendo o estilo que já lhe é característico. Arrisquem-se à angustiante experiência de conhecer o templo de Zarhaad.  


O TEMPLO DE ZARHAAD

Henry Evaristo

    Sempre me senti atraído pelo insólito. Quanto jovem despendia horas a fio absorto na tarefa de garimpar nas bibliotecas de meus familiares todos os livros que abordassem temas assombrosos e fantásticos.
  Tudo naquele universo me interessava profundamente e meus esforços para tocá-lo, de qualquer forma, tornaram-se cada vez mais veementes com o passar dos anos.
    A herança recebida de um tio tirou-me da miséria em que a morte de meus genitores me deixara e com trinta e cinco anos eu soube, pela primeira vez, o que era a liberdade financeira quase sem limites. Minha ânsia pelo inusitado que existe nas entrelinhas do mundo, podada durante os últimos anos pelas dificuldades financeiras e pelo trabalho que tinha para manter a casa apenas com meus ganhos com aulas particulares, cresceu desmesurada e diretamente proporcional à fortuna que, de repente, eu vira depositada em minha conta no banco. Eu, como único sobrinho do velho Santmartin, herdara-lhe a fortuna.

21 de nov de 2009

Novembro Insano

Novembro Insano

Não sei se foi o calor que nos matou
Mas morremos naquele novembro
Quando a febre tornou-se rotina
Os rostos avermelhados
Os olhos mortiços
Lábios rachados
O sangue fervia
A intolerância
A agonia
A ira
De um olhar raivoso
O sangue derramava-se
No ódio que o calor transmitia

13 de nov de 2009

E nem dói tanto quanto acordar e não ter você aqui.

E nem dói tanto quanto acordar e não ter você aqui.

E as paredes desse quarto são tão pálidas
E esses travesseiros ainda têm o cheiro seu

E nada dói tanto quanto acordar e não ter você aqui
Essa noite foi tão bom eu te sonhei

E a dor se espalha conforme o sol inunda a janela
E eu lembro foi você que a quis assim, acordando a casa em luz

Sozinha, sem seus passos na cozinha
E um anjo entristecido me olha da parede

E o café amargo, não tem na geladeira nada
E é bom pois o nada é o que eu sou

E os minutos do relógio enlouquecido nem sei como vão
E não tem sentido esse pão macio no forno

Sozinha, a mesa não me despertará
E sei que a fome de mais um dia já não vem

pro-cura

pro-cura
 
e nos cacos do espelho
em tristes *meixelas
ah, já não me vejo
cilios, rastros
quebradiços retratos,
de pejos, desejos
labirinto de outrora
eu sou


....

Descobri na página da Poeta Galega, a delicadeza das *meixelas.
Meixelas ( Gz)  - maçãs do rosto!

7 de nov de 2009

Sopor Aeternus

Sopor Aeternus [Dark Delight] + Elend [Lucifer]





Para pensar...

Metamorfose - A fúria dos Lobisomens


Lino França Jr.
convida para o lançamento do livro Metamorfose - A Fúria dos Lobisomens.

Dia 19/12/09 - ás 18:30hs - no Bar do Batata.
"A noite está chegando...
Os Lobisomens finalmente serão soltos e estarão à procura de suas vítimas."
Uma antologia muito esperada, voltada para uma das mais fascinantes ( e algo esquecida) figuras do universo fantástico. Que venham os uivos, o luar convida e seduz ... prepare-se você também! 


Aos amigos Duda Falcão , Lino França Jr. , Mario Carneiro Jr. e demais participantes da antologia, desejo todo sucesso do mundo!!!!!


2 de nov de 2009

Descaminhos surreais - Tânia Souza

Descaminhos surreais

Fez-se passarela de estrelas
Em-briagantes sonatas
Mulher feminae chorava

Pedregulhos eram perólas na carne
Dos pés em pró-cura, vestia-se ainda de não.

Entre-nuvens, louros cachos do tempo
Desenhos esvoaçavam esperança

Flutuou enfim alma dispersa
Em cratera atemporal

          Da vida sorveu beijos tantos
          Relembrou sorrisos, encantos
          E assim foi.

Despedaçou-se depois na realidade...


Tânia Souza

Aventura Fantasma - Mensageiro Obscuro.

      Em viagem surreal, estes versos de estreia do Mensageiro Obscuro no Descaminhos Sombrios convidam: o dia dos mortos chegou entre sombras, vultos e festejos, a morte é a estrela e o poeta, estranho maestro dessa nefanda celebração. Leiam e aproveitem a festa!!!!!

Aventura Fantasma

A madrugada era gélida e calada,
Revelava flores e folhas secas,
E poeira e parafina queimada.
Chegaram meus companheiros,
E acordamos do sono contínuo.

Saímos eufóricos de nossos túmulos,
Éramos sombras entre névoas,
Invadimos o sarau dos vivos.
Filósofos, escritores, músicos
E góticos foram os anfitriões.


O sarau foi em nosso mausoléu,
A alegria das artes nos seduziu.
Dois bailes paralelos seguiam
Em uma só realidade!

A interseção de vivos e mortos
Criou nossa aventura fantasma.
Ossos e cinzas dormem enquanto
A mortalha será nossa bandeira.

Mensageiro Obscuro.
Maio/2008.

1 de nov de 2009

Nós, que aqui estamos por vós esperamos! - Tânia Souza

"Nós, que aqui estamos por vós esperamos
Sonhei-me num cemitério: os túmulos eram azuis, flores multicoloridas estremeciam na brisa e vultos esguios surgiam em alguns cantos... não importava, eles não estavam ali por mim, nem eu por eles... os ipês amarelos derramavam flores e douravam o azul. Talvez eu tenha caminhado numa tela de Van Gogh.

Meus pés estavam descalços, sentia entre os dedos a areia fina, não como na praia, mas como no quintal de minha casa, quando ainda menina brincava e sentia o frescor de Gaia me chamando sob a sombra das árvores mais antigas. 

Eu estava morta e no instante seguinte, eu estava viva. Os vultos, talvez caminhassem cada um em uma tela particular: mansas, intensas, suaves tempestades...  seguiram seus passos, os meus.... ainda esperam.

Tânia Souza 01/11/2009

Velório - Por Mensageiro Obscuro

Velório: despedida, adeus, até logo, até breve, até nunca, até mais... Velório: a melancólica certeza do não mais,  explorada de forma bela e comovente neste poema do Mensageiro Obscuro. De fato, há certa beleza no adeus quando de amor se faz impregnado, mas ainda assim, adeus é sempre triste.
                        


Certos pensamentos causavam vertigem,
Escrever podia ser melhor que dizer,
Devaneios e inquietude me perseguem,
O vinho já não me causava tanto prazer.

Uma expressão triste tomava meu rosto,
Desejos, esperanças e prazer acabaram-se,
E agora no sarcófago? Resta meu desgosto!
Vida, triste existência, melhor não tê-la.

Meus sentimentos, frio punhal
Que me cortou, o frio,
Sinto o frio mortuário...
Uma dor toma meu ser.
Não há inocência,
A esperança está morta,
Aceito meu destino,
Vou morrer.

O cemitério está nebuloso e enfeitado
Com velas e flores, em lindo sarau,
Com artistas exóticos e soturnos,
Meu funeral: o fim de minhas dores!
Clamo por aventuras, eis o fim!

Da mortalha fiz capa e dancei
Dancei entre os que se foram.
Vinho, velas, neblina e artes
Embalaram o velório.

A última festa entre amigos
Que há muito tempo me deixaram,
Observei minha mumificação
E notei que já fui amado.

Mensageiro Obscuro.
Maio/2007.

"Nós, Que Aqui Estamos por Vós Esperamos" - Parte II - Tânia Souza

 "Nós, Que Aqui Estamos por Vós Esperamos"


O título deste post não foi criado por mim. Em 2000, quando ainda estava na Universidade, pude conhecer e não mais esqueci essa obra especial. Trata-se de um prêmiado documentário brasileiro "Nós que aqui estamos por vós esperamos" foi dirigido por Marcelo Masagão, no ano de 1998. Recebeu Prêmio GNT de renovação da linguagem, Prêmios no 3º Festival de Cinema Nacional de Recife, no 4º Festival Internacional de Documentários de SP e no 17º Festival Internacional do Uruguai.


Um filme no qual esperança e desalento, lágrimas e risos dançam nos olhos diante da tela, quando o Século XX revela-se nas imagens que crescem junto com trilha sonora composta por Wim Mertens: insano, belo, poético, trágico, moderno, complexo, barroco, comovente e paradoxal, o filme-memória de Marcelo Masagão simplesmente merece ser visto muitas vezes. O título do post vem do filme, parece que o título do filme vem do pórtico de um cemitério da cidade de Paraibuna no interior do Estado de São Paulo, onde se lê a mesma frase. a origem da frase? Não sei, apenas sei que se puder, assista e comova-se perante a humanidade desnuda.
  • Sinopse

    A partir de recortes biográficos reais e ficcionais de pequenos e grandes personagens do mundo, Nós Que Aqui Estamos, Por Vós Esperamos narra a história do século XX. Com 95% de imagens extraídas de arquivos, o filme pretende discutir a banalização da morte e por correspondência direta, da vida.



  • Informações Técnicas 
  • Título: Nós que aqui estamos por vós esperamos 
  • País de Origem:  Brasil 
  • Gênero:  Documentário 
  • Tempo de Duração: 73 minutos 
  • Ano de Lançamento:  1999 
  • Site Oficial: Filmes do Masagão 
  • Estúdio/Distrib.:  Riofilme
  • Direção:  Marcelo Masagão.
*Clique aqui e veja trechos no YouTube.

*Wim Mertens é um compositor belga que preza pela parte minimalista da música clássica.

Silencioso desencanto

E o azul rompe-se
Estilhaçando a tarde morna,
Fotografias que a brisa carrega
Dolência de dias proibindo céu

Tânia Souza