31 de jul de 2010

canção-de-me-ninar



canção-de-me-ninar


os passos são silêncio
no vazio da madrugada
lá lá lá lá
hum hum hum
e eu estou tão só
que inventei uma canção
canção-de-me-ninar
lá lá lá lá
hum hum hum

e sem abraços
um travesseiro triste
já sem lágrimas pra chorar
e hum hum hum
enrodilhada em tristeza
e lá lá lá

solidão no escuro de meu quarto
não tem corpo nem afeto nem sonhos a sonhar
apenas minha voz tão baixinha nem sei escutar
lá lá lá
hum hum hum

é tão simples a solidão
e eu tão só e sou
que inventei uma canção
canção-de-me-ninar

lá lá lá
hum hum...

tem vento na cortina
e luar indo embora
é tão puro o dia nascendo lá fora

lá lá lá lá
hum hum hum
.......

25 de jul de 2010

divagantes

as vezes tenho sim
essa estranha impressão que a literatura vai me libertar de mim

mas o que persiste mesmo é o medo do abismo
e do absurdo
dessa outra que na palavra talvez eu seja

então é como se essa dor e essa densidade que me estremece
fossem de repente se-me-revelar
e eu saberia de algum mistério
será?

acho que eu tenho mesmo medo é de existir

acho que eu tenho mesmo medo é de existir

acho que eu tenho mesmo medo é de existir 

18 de jul de 2010

A Menina Ícaro


Da estranha densidade

        " Achava os haicais incríveis e meio terríveis. Quando lia os de sua autoria, cada um deles batia nela como um soco, único, muito forte."

        Como uma garota tão pequena pode ser tão exasperante, tao querida e densa? Nas primeiras linhas, Jess convida e a vontade é de não deixar mais a leitura. Há um mundo novo de cores, escuro , sensações e sentimentos em volta de Jess... até o amor dá um certo medo. A narrativa de Helen Oyeyemi é densa e envolvente; pesada e ao mesmo tempo leve, intrigante ao  negar e oferecer pistas, deixando o leitor no plano da incerteza. 

15 de jul de 2010

R.I.P. 3 - Read In Peace



A Revista Eletrônica do site Estronho e Esquésito está com febre lupina. Clique aqui ou na imagem acima e baixe a sua  R.I.P. 3 - Read In Peace... 

Apenas cuidado ... quando for noite e a lua cheia surgir no céu.

13 de jul de 2010

Os mortos-vivos - de Peter Straub




Os mortos-vivos: um mergulho nas sombras

Resenha de Tânia Souza

         Um livro inquietante, perturbador e surpreendente. Para leitores que apreciam LitFan de qualidade, impossível não ler. No entanto, como resenhar Os Mortos Vivos sem comprometer a saga tão bem construída pelo autor? Esta foi uma questão que surgiu assim que terminei a leitura dessa incrível narrativa. Ao mesmo tempo, a necessidade de compartilhar minha experiência de leitura de um dos mais bem escritos livros de literatura fantástica contemporânea exigiu uma resenha. Então, começo recuperando as primeiras palavras com as quais o leitor tem contato em Os mortos Vivos.
            Qual foi a pior coisa que você já fez? Não vou contar, mas lhe direi qual foi a pior coisa que já me aconteceu... a mais terrível...
           

6 de jul de 2010

M.D.Amado - Aos Olhos da Morte

Aos Olhos da Morte
Por Tânia Souza 

        Ah, a morte, esta dama que inquieta, que instiga, que apavora e dói... esta que já inspirou tantos poetas, tantos contos...  Manuel Bandeira, sobre ela já dizia “quando a indesejada das gentes chegar, talvez eu tenha medo, talvez eu sorria, ou diga: alô iniludível!” Pois ela que pode chegar de repente, como uma visita inusitada; ou como aquela há muito esperada. Na aproximação com o inexorável, pode ser temida, ignorada e até desejada. No entanto, como uma das mais constantes certezas da homem, sempre nos surpreende.
E se de repente víssemos tudo sob outro prisma, se pudéssemos ver o mundo Aos olhos da Morte, estaríamos preparados? M.D. Amado, do site Estronho e Esquésito, é o autor que nos convida a esta instigante viagem literária. Tal qual o poeta, sugere: talvez temer, talvez sorrir.


2 de jul de 2010

A FLOR DE U'ZLTRILIX - Por Tânia Souza

         A FLOR DE U'ZLTRILIX, foi escrito originalmente por Alyz, mais que um pseudônimo, Alyz é personagem de um outro conto e batizada assim por inspiração de um conto de Italo Calvino.



A FLOR DE U'ZLTRILIX
Escrito por Tânia Souza


 
  Uma chance.  Um único risco.  Mas não recuarei. Desde a grande viagem o perigo a que me sujeito é o de viver. Devo imergir na névoa e encontrar a Flor de U’zltrilix. Nela reside uma resposta. Um recomeço. Um fim.  No entanto, a areia liquefez-se em vários pontos, perscruto e não vejo a passagem. Muitas vezes me questiono se existo ainda, que vontade é essa que me anima e me fez seguir até aqui?

Expressionismo - Arte de Dor e Sombras





Expressionismo - Arte de Dor e Sombras

Por Tânia Souza

O desejo de subjetividade constitui a base da Estética Expressionista, concretizando-se nas artes plásticas, na música, no cinema, na pintura e na literatura. Este movimento surgiu na pintura como uma reação ao Impressionismo e a visão objetiva da natureza. Os pintores expressionistas buscavam uma interpretação pessoal e intensa sobre o que a natureza sugeria, assim, a principal diferença das obras ditas expressionistas é o fato de refletirem um estado de insatisfação, melancolia e paixão. Caracterizando-se por uma constante proximidade ao horror, ao fantástico e ao demoníaco, ao triste, ao melancólico, ao dolorido de estar vivo, o Expressionismo deixa de ser uma vanguarda, um estilo único, e perpassa por vários estilos e artistas, em uma viva expressão da dor, do medo e na angústia diante da vida. Pode refletir um momento, uma fase, ou ser o espelho dos olhos de quem representa o mundo com o horror absoluto de estar vivo.