13 de jul de 2010

Os mortos-vivos - de Peter Straub




Os mortos-vivos: um mergulho nas sombras

Resenha de Tânia Souza

         Um livro inquietante, perturbador e surpreendente. Para leitores que apreciam LitFan de qualidade, impossível não ler. No entanto, como resenhar Os Mortos Vivos sem comprometer a saga tão bem construída pelo autor? Esta foi uma questão que surgiu assim que terminei a leitura dessa incrível narrativa. Ao mesmo tempo, a necessidade de compartilhar minha experiência de leitura de um dos mais bem escritos livros de literatura fantástica contemporânea exigiu uma resenha. Então, começo recuperando as primeiras palavras com as quais o leitor tem contato em Os mortos Vivos.
            Qual foi a pior coisa que você já fez? Não vou contar, mas lhe direi qual foi a pior coisa que já me aconteceu... a mais terrível...
           
Assim começa o prólogo, um convite a insanidade que só será explicado muitas páginas depois. Seja lá qual tenha sido a pior coisa que você, leitor, tenha feito ou vivido, estará de volta de nos sentimentos e no grau de tensão e suspense com que Peter Straub lhe apresentará as páginas seguintes. O fantástico no gênero sobrenatural ganha fôlego e um olhar inédito em Os Mortos Vivos.
            Tudo acontece, ou quase tudo, na tranquila cidade de Milburn, onde a Sociedade Chowder parece esconder mistérios inusitados. Formada pelos amigos Ricky Hawthorne, John Jaffrey, Sears James e Edward Wanderly, que se reúnem duas vezes por mês para contar histórias. Não qualquer história, mas sim, histórias de fantasmas.  Quando Milburn começa a ser palco de inúmeros e inusitados eventos, todos parecendo relacionar-se a Sociedade Chowder e seus fantasmas individuais, seus componentes percebem que precisam de ajuda. É neste cenário em que a insanidade parece comprometer os fatos reais que o escritor Donald Wanderly, sobrinho de Edward, entra em cena. Os eventos inusitados tendem a aumentar com a chegada de Donald, entrelaçando integrantes das histórias, pessoas do passado, pecados e culpas de outras e fantasmas particulares de cada um dos personagens.
            Mas em Os Mortos Vivos nada é o que parece, ao mesmo tempo em que percebemos sentimentos e gestos tão humanos, Straub nos apresenta a criaturas indescritíveis, cruéis e tão antigas como o próprio homem. Os inúmeros personagens ganham vida durante a narrativa de tal forma que, cada um deles é o nosso herói, o nosso vilão favorito. É preciso desconfiar da paisagem que Straub nos oferece. A narrativa não linear, simultânea, complexa, sedutora envolve de tal forma o leitor que sentimos cada medo, cada emoção, cada instante de pavor e angústia dos personagens que acompanhamos por longos momentos. O enredo é extremamente criativo, eventos e momentos insuspeitos se integram e surpreendem o leitor, aliás, surpresa é o que não falta em Os Mortos Vivos.  Esteja preparado. Não há momentos mornos na narrativa. Apenas alguns nos quais a tensão vai ao máximo e logo o leitor estará tão envolvido no universo do sobrenatural que até mesmo as horas são esquecidas. Li Os Mortos-vivos em menos de uma semana, desvencilhar-me do fascínio dos personagens levou mais tempo. Encontrar outro romance fantástico do gênero terror que me prendesse tanta atenção assim ainda não aconteceu. 


Título Original: Ghost Story
Peter Straub, 1979
Tradução de A.B. Pinheiro de Lemos
Editora Nova Cultural.

9 comentários:

  1. Caramba, culpada por me deixar com mais vontade de ler e me proibir tb =/

    =)

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  2. Ah, você tem esse livro Senhorita Celly, eu li no pc, graças ao Senhor Poleto, e acho mesmo que é o melhor romance do gênero terror que já li. Ah,valeu por esse livro Poleto, adoro....

    Ah, Celly, por mim você está livre da proibição, hehe, agora peça ao Senhor Estronho para liberar também, afinal, você não está usando o tempo para o que combinamos, hehehe.

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  3. Tá, vou pedir para o sr. Estronho...

    Será que ele mo libera???

    Aliás, a culpa é toda dele...

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  4. Esse livro é sem dúvida um dos clássicos do terror, ao lado de "O Exorcista". É uma obra rara no gênero.

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  5. Poleto, e sempre vou te agradecer por ter me apresentado ao Straub, quando crescer quero escrever ao menos perto da escrita dele.

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  6. Anônimo16:41

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  7. Anônimo08:42

    FELIX
    TÂNIA FAVOR APAGUE MEU COMENTÁRIO ANTERIOR UM GRANDE ABRAÇO AMIGA TE+

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  8. Anônimo07:45

    O melhor livro que li em minha opinião, genial. Maurilei.

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  9. Anônimo07:46

    O melhor livro que li em minha opinião, genial. Maurilei.

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