22 de jun de 2010

No escuro

No escuro

Por Tânia Souza


Suores. Tremores. A respiração dificultada pela mistura rançosa de madeira e desinfetante. Sim, ele era um monstro oculto sob a cama aguardando sua vítima. Deleitando-se com pensamentos corrompidos. Nem sempre fora assim, porém, viciara-se no sabor amargo, no escuro inundando-o até sentir-se horrendo a ponto do acre na garganta parecer-lhe sangue.
Os pés da moça no quarto. O coração acelerado. A saia branca revelando-lhe a pureza de velhos dias. A pele febril de possibilidades e o suor escorrendo.  Um monstro e o trêmulo prazer de sê-lo.
Olívia suspirou. O jovem paciente do quarto 210 escondia-se. Podia ouvi-lo respirando pesadamente, os pés aparecendo sob a velha armação. Inclinou-se, estendeu as mãos e o chamou. Ele sorriu. As mãos esconderam a agulha pontiaguda e o rosto delicado nada revelou sobre os pensamentos recentes.
Naquela noite, o monstro já estava alimentado.

5 comentários:

  1. Como este conto não foi classificado no concurso do Estronho, eu não sei...Ah, não devem ter lido, só pode!!! Incrível angústia! Sensacional ansiedade! Senti isto mesmo ao ler-te!!

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  2. Oo... deu nervoso! hehehe

    Muito bom isso!!

    Beijos sangrentos da vampira Laysha.

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  3. Victor, Laysha, que bom que gostaram, acho muito difícil escrever minicontos. Victor, acho que os outros contos devem estar bem melhores, é bom que vou treinando. Valeu pela visita! ^^

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  4. Perturbador. Adorei!

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