31 de out de 2010

O Sétimo - Por Celly Borges


Entre pactos e maldições, vertiginosamente nos vemos em um cenário noturno na floresta, onde acontece um pacto das sombras em meio ao círculo de fogo. Assim conhecemos  O Sétimo, um conto macabro e assustador de Celly Borges.


O Sétimo
Celly Borges

Numa noite muito quente, Ronald derretia de suor em baixo daquela túnica e do  capuz. Queria levantá-lo para enxugar o rosto, mas Joana, sua esposa, o impedia  segurando-o pelo braço a cada movimento involuntário de levá-lo à face.
Agora era tarde, pensaram simultaneamente, enquanto olhavam em volta, estavam reunidos em um círculo em uma clareira no meio da floresta densa, com outras cinco pessoas cada uma segurava uma vela. Formavam a união das Sombras. No centro deste círculo, uma fogueira, que iluminava mal e tornava tudo muito sinistro.
– Irmã Joana, chegou o momento, ao lado da fogueira, dois membros da seita estenderam um colchonete, para aproveitarem aquela luz.
Joana olhou para Ronald, que segurou as mãos dela, e a levou até o colchonete. Ela apertou a mão do marido, muito forte. Já não tinha mais certeza se ainda queria aquilo.
Ronald deu um beijo na testa, por sobre o capuz da esposa.
– Irmão, disse o homem que parecia ser o sacerdote da seita, agora nascerá o filho das trevas, o sétimo filho desta família, que aceitou o mais desafio de suas vidas: seguir o verdadeiro Mestre. O Mestre das Sombras!
Joana voltou a sentir fortes contrações, tão fortes quanto as que sentira à tarde, pouco antes de ligarem para o sacerdote avisando do ocorrido, confirmando a reunião para aquele local e horário.
Deitaram-na no colchonete. Ela, ainda com o capuz, chorava desesperada, de tanta dor. Doara todos os seus outros seis filhos, mas estranhamente, lá no fundo, apesar de ser muito fria de bons sentimentos, sentia amor por esta criança.
Depois de algumas horas, a criança nasceu, era um menino. E com o sangue da mãe e o fogo, fizeram o pacto das trevas.
Se algum dia os pais temeram o poder do fogo, agora era tarde, e tudo se transformara em verdade. Logo depois do batismo das trevas, a criança já sabia qual o seu destino: destruir essa bobagem do bem!
Agora o caminho deve ser seguido. Ele é o sétimo, o escolhido! E ele sente. A criança nasceu e vive. Vive para o mal. Pertence ao mal e é o mal!

3 comentários:

  1. Tânia, dá licença de eu dar uma murmurada. Celly, mas que conto macabro, hein?!? Depois do sétimo, poderia vir o décimo terceiro? Já pensou. Esse número 13 é cabalístico! o 7 também o é. Gostei do conto. Rápido e tenebroso. Parabéns!!!

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  2. Aqui os murmmúrios são bem recebidos, ainda mais para o conto da senhorita Celly, é criativamente maléfico!!!!!

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  3. Oh, Luciano e Tânia, a maldade está em mim :P

    Brincadeira, depois tenho que andar me explicando por ai, que o que escrevo não é real... hehe

    Obrigada pelos murmúrios!

    Vou pensar sim, Luciano, em um dia fazer um conto com o 13!

    bjoos

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